O conceito de ‘Logos’ no Evangelho de João

O prólogo de João (João 1:1-18) é um dos textos mais profundos do Novo Testamento. Nele, João introduz o conceito do Logos, afirmando que “No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos era Deus”. Mas o que realmente significa essa palavra?

Antes de João utilizar o termo Logos para descrever Jesus, esse conceito já possuía uma longa história na filosofia grega. Como podemos entender a intenção teológica de João dentro desse contexto?

O conceito de Logos na cultura grega

O termo Logos não foi criado por João – ele era amplamente usado na filosofia grega para expressar razão, ordem e comunicação. Heráclito de Éfeso (século VI a.C.) introduziu o Logos como o princípio fundamental que governa a ordem do universo. Para ele, o Logos era uma lógica cósmica que mantinha tudo em equilíbrio. Os estoicos (século III a.C.) consideravam o Logos como uma força racional presente em toda a criação, funcionando como a “razão universal” que permeia todas as coisas.

Platão e Aristóteles viam o Logos como a base do pensamento racional e do discurso coerente. Filon de Alexandria (século I a.C.), buscou unir o pensamento judaico e grego, descrevendo o Logos como um intermediário entre Deus e o mundo criado.

João, ao utilizar esse termo, não apenas dialoga com a tradição filosófica, mas também redefine o conceito para se alinhar à revelação cristã.

O significado teológico do Logos no Evangelho de João

Diferente dos filósofos gregos, João apresenta o Logos não como um princípio abstrato, mas como uma pessoa divina. Ele afirma que: o Logos preexistia e estava com Deus desde o princípio; que o Logos era Deus e participou diretamente da criação e que o Logos se fez carne, ou seja, Jesus é a manifestação viva da Palavra de Deus.

Aqui, João conecta o Logos com a sabedoria judaica e a tradição do Antigo Testamento, mostrando que ele não é apenas um conceito filosófico, mas sim o próprio Cristo encarnado.

Aplicação do conceito para a teologia e pregação

Para pastores e teólogos, entender o Logos no Evangelho de João pode enriquecer a pregação e o ensino. Em primeiro lugar, explorar o significado original das palavras no grego pode trazer novas perspectivas. Além de aprofundamento exegético, explorar como a ideia do Logos se conecta à revelação de Deus na vida dos fiéis, pode ajudar nas reflexões e preparação de sermões. Finalmente, ensinar que Jesus é a expressão plena da mente e da vontade de Deus é de muito proveito para o entendimento correto e prática do discipulado cristão.

Em suma, a compreensão correta do Logos fortalece não apenas a teologia cristã, mas também a forma como a mensagem do evangelho é transmitida.

Conclusão

Ao escolher o termo Logos, João não apenas dialoga com o pensamento grego, mas também revela a profundidade da identidade de Cristo. Ele mostra que a razão suprema que sustenta o universo não é uma ideia filosófica, mas sim um Deus pessoal que veio habitar entre nós.

Pastores e estudiosos que se aprofundam nesse conceito podem encontrar novas formas de comunicar o evangelho, conectando a rica tradição judaico-cristã com os questionamentos universais da humanidade.

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