“Quem, pois, tiver bens do mundo, e vendo seu irmão necessitado, lhe cerrar o coração, como estará nele o amor de Deus?” — 1 João 3:17
Você já imaginou receber um cartão no Dia dos Namorados dizendo: “Eu te amo com todo o meu intestino grosso”?
Pois é… talvez um arranjo de flores seria melhor.
Na nossa cultura, o coração é o símbolo das emoções — especialmente do amor. Mas na mentalidade grega do Novo Testamento, o “centro” das emoções não era o coração, e sim… as entranhas!
A palavra grega: σπλάγχνον (splanchnon)
Originalmente, splanchnon se referia aos órgãos internos do corpo: coração, pulmões, fígado, rins, intestinos. Era essa parte do sacrifício que os sacerdotes examinavam na Grécia Antiga. Em Atos 1:18, por exemplo, a palavra aparece de forma literal, descrevendo a morte trágica de Judas.
Mas a linguagem evolui.
Assim como dizemos que sentimos “um aperto no peito”, os gregos diziam que “sentiam nas entranhas”. Essa expressão emocional ganhou profundidade com o evangelho — o amor cristão passou a ser descrito como algo que vem “do fundo do ser”.
A versão verbal: σπλαγχνίζομαι (splanchnízomai)
Essa forma verbal é usada 12 vezes no Novo Testamento — sempre associada a Jesus. Ele sente compaixão:
- Pelas multidões perdidas (Mt 9:36)
- Pelos famintos (Mt 15:32)
- Pelos doentes e leprosos (Mt 14:14; Mc 1:41)
- Pela viúva em luto (Lc 7:13)
Não era só poder: Jesus sentia. Ele reagia com emoção verdadeira à dor humana.
Os afetos de Paulo
A forma plural splanchna aparece 11 vezes, muitas delas nos escritos de Paulo. Ele a usa como sinônimo de “afetos profundos”:
- Aos coríntios que “fecharam seus sentimentos” (2Co 6:12)
- Ao elogiar o carinho de Tito (2Co 7:15)
- E na carta a Filemom — onde chama Onésimo de “meu próprio coração” (Fm 12)
Imagine traduzir essas frases literalmente: “Estou mandando de volta minhas entranhas”! Bizarro — e ao mesmo tempo, poético.
Adjetivos relacionados
- Eusplanchnos (Ef 4:32): “bem-compassivo”, “de bons afetos”
- Polusplanchnos (Tg 5:11): “muitíssimo misericordioso” — termo aplicado a Deus
Aplicação devocional
Jesus sentia com o estômago. Seu amor era mais que discurso: era visceral, urgente, encarnado.
Nós, muitas vezes anestesiados, precisamos reaprender essa sensibilidade. Como Paulo, como Cristo, somos chamados a amar com nossas entranhas — ou seja, com tudo o que há dentro de nós.
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