Anástasis: além do obituário

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá (João 11.25) 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número total de mortes associadas direta ou indiretamente à pandemia de COVID-19 (descrito como “excesso de mortalidade”) entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021 foi de aproximadamente 14,9 milhões.

Tantas sepulturas! E para muitas pessoas, a última pá de terra no túmulo escreve “O Fim” para uma vida. Uma pessoa foi extinta da existência sem esperança de nada mais.

Os cristãos também enterraram seus entes queridos. Suas lágrimas rolam pelo rosto. Mas, como disse o apóstolo Paulo, não nos entristecemos “como os demais que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4.13). A Páscoa é mais apropriadamente conhecida como Dia da Ressurreição. A vida e a morte parecem diferentes quando vistas através de olhos que sabem sobre a ressurreição. É por isso que estamos olhando hoje para a palavra grega para ressurreição.

A palavra usual do Novo Testamento para ressurreição é anástasis, que vem de um par de palavras gregas. A preposição aná (que significa “para cima” e, metaforicamente, “de novo”) + hístēmi (“ficar de pé, ficar firme”).

A sociedade secular usava anástasis para descrever ideias rotineiras como a “ereção” de uma estátua, a “construção” de uma represa ou “levantar-se” da cama. Esse significado da palavra sobrevive em apenas uma passagem do Novo Testamento: quando Simeão encontra Maria e José no templo e prediz que seu bebê recém-nascido causará “a ruína e o levantamento de muitos em Israel” (Lucas 2.34).

Em todas as outras passagens, a anástasis descreve o evento de uma pessoa morta que retorna à vida.

Era uma ideia impopular. Os filósofos gregos aceitavam a possibilidade de que a alma possa manter algum tipo de existência sombria após a morte, mas quando Paulo falou da ressurreição aos estoicos e epicuristas em Atenas, eles zombaram dele (Atos 17.1832).

Os samaritanos rejeitaram a ideia da ressurreição, e os saduceus desprezaram a ideia da ressurreição como uma das principais tábuas de sua plataforma. Um grupo de saduceus usou uma pergunta capciosa sobre a ressurreição para sondar o que consideravam ser um ponto fraco no ensino de Cristo (Mateus 22.23-33Marcos 12.18-27Lucas 20.27-40). Quando Pedro curou um coxo no templo, foi sua pregação da ressurreição que levou os saduceus a ordenarem sua prisão (Atos 4.2). O apóstolo Paulo certa vez interrompeu uma audiência do Sinédrio declarando que a ressurreição era a questão que levou à sua prisão (Atos 23.6-9). O evangelho irritou os saduceus, não apenas porque eles não acreditavam na ressurreição de Cristo, mas porque não acreditavam em nenhuma ressurreição: um Jesus ressuscitado contradizia sua teologia!

Os saduceus tropeçaram involuntariamente na grande implicação da Ressurreição: se Cristo pode ressuscitar dos mortos, nós também!

Anástasis no Novo Testamento descreve a ressurreição de Jesus.

No cerne do evangelho cristão estava a realidade de que Cristo ressuscitou dos mortos. Mais do que viver nas memórias de amigos, mais do que viver através de suas realizações, mais do que reaparecer como um fantasma, mais do que simplesmente reviver do túmulo apenas para morrer novamente – Cristo voltou à vida com um corpo físico, para nunca mais morrer!

  • Os crentes no cenáculo escolheram um substituto para Judas com o propósito expresso de ser uma testemunha da ressurreição de Jesus (Atos 1.22).
  • Os apóstolos serviram como testemunhas de Sua ressurreição (Atos 4.33).
  • A mensagem de Paulo na Colina de Marte (Areópago) culminou com a ressurreição (Atos 17.18).
  • ressurreição de Cristo demonstra que Ele é o Filho de Deus (Romanos 1.4).
  • Sua ressurreição nos dá uma esperança viva (1 Pedro 1.3).

Anástasis também descreve a ressurreição que experimentaremos.

A igreja em Corinto evidentemente continha membros que acreditavam na ressurreição de Cristo, mas negavam que a ressurreição fosse possível para o resto de nós (1 Coríntios 15.12). O apóstolo Paulo passou o resto desse capítulo argumentando que Cristo foi o primeiro a ressuscitar, mas certamente não foi o último. Porque Ele vive, podemos esperar nossa própria ressurreição!

De fato, Jesus declarou que todos, justos e injustos, serão ressuscitados (João 5.29). Todos os que já viveram voltarão da sepultura para viver para sempre na presença de Deus ou longe dela.

Paulo alertou contra o falso boato de que a ressurreição já havia ocorrido – é um evento futuro! (2 Timóteo 2.18).

Para aqueles que colocaram sua fé em Cristo, a ressurreição nos conduz à eternidade com um corpo como o de Jesus ressuscitado (Filipenses 3.21). Como Jesus disse a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim viverá, ainda que morra” (João 11.25).

Não é só sobre o futuro.

A ressurreição não é apenas um evento distante que aguardamos com esperança; é uma realidade presente que pode transformar nossas vidas hoje. Você tem áreas em que precisa levantar-se de novo? Talvez seja um sonho esquecido, uma relação quebrada ou uma esperança perdida. O mesmo poder que ressuscitou Jesus dos mortos está disponível para operar em sua vida agora. Esse poder pode trazer nova vida, restaurar o que foi perdido e renovar sua força. Permita que a ressurreição de Cristo inspire você a se levantar, a acreditar novamente e a viver com a certeza de que, assim como Jesus venceu a morte, você também pode superar qualquer desafio.

Dica de estudo:

Este estudo se concentrou especificamente no substantivo anástasis, que ocorre 42 vezes no Novo Testamento. Você pode expandir o estudo incluindo o verbo anistēmi ou o sinônimo egeirō. Paulo também usa uma forma intensificada de anástasis em Filipenses 3.11. A ressurreição é um tópico tão central do Novo Testamento que um estudo de palavras é apenas o ponto de partida.

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